Femme Fatale

“Só então ela se dá conta de que os raios solares já invadem a janela de forma atrevida e só então percebe estar deitada em uma cama sabe-se lá pertencente a quem. Roupas e garrafas atiradas por todos os cantos, fora daquele quarto o vento uiva ferozmente. A noite foi exatamente mais uma amostra do que costuma conduzi-la à loucura. Tentativas frustradas de preencher seu vazio, resquícios antigos de outros carnavais (um em especial) que sempre têm fim. Uma garota insaciável e imprevisível, despreocupada com a conduta social, com moralismos ou qualquer coisa do tipo. Olha para o lado e se depara com um indivíduo beirando seus tatuados e cabeludos trinta anos, dormindo como uma criança. Ele não sabe quem é o cara, muito menos como foi parar ali. Mas imagina com o um tiro certeiro o que aconteceu depois de sair daquele seu velho conhecido barzinho underground. Avessa aos sentimentalismos comuns, a mulher caleidoscópio apenas vive para o momento. Veste as roupas antes que o imbecil acorde e perceba sua presença, peça seu telefone e recorde a madrugada atordoada e alucinada que passaram. Acostumada com a peregrinação nada santa por entre corações (uma genuína lady heartbraker) e corpos estranhos – buscando algo que nunca encontrará – ela corre, sem saber aonde vai chegar.”

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