Rua Silveiro

Capítulo 3. Me dou conta de que se eu não soubesse sobre o que eu estou escrevendo já estaria completamente perdida. Anyway…

Drunk drivin’ começou a soar, olhei para o relógio de cabeceira, 6:00 a.m. de domingo. Animadamente me levantei, liguei a TV em uma rádio qualquer, fui ao banheiro, tomei um banho. Desci para comer um sanduíche, voltei ao quarto e então notei o nervosismo pré-prova chegando, precisava relaxar. Mudei para uma rádio de reggae, dancei em frente ao espelho por uns minutos, dando vazão a alegria e tranquilidade que senti. Abri a janela e olhei ao redor, só o que eu enxergava eram prédios. Conferi minha bolsa mais uma vez. Lapiseira, canetas, identidade, tudo certo, era hora de ir.

Optei por ir andando, com passos um tanto quanto apressados, fui andando pelas ruas atenciosamente. Quando dobrei a esquina que dava acesso ao lugar me deparei com um monte de pessoas, parecia que todo mundo conhecia alguém ali, me encostei timidamente em uma mureta. Prestes a ligar meu mp4 uma mulher começou a conversar comigo, ficamos ali uns dez minutos até os portões serem abertos, então cada uma seguiu para sua sala.

Sentei na primeira carteira ao lado da porta. Lugar estratégico, não precisava passar por muitas pessoas para chegar nele. Bom, os minutos que antecedem o início de uma prova são quando o tempo mais demora pra passar. Cada rosto que você olha um semblante diferente – tranquilos, confiantes, a beira de um ataque, ansiosos; eu fazia parte dos impacientes. Todas as vezes que passei por isso meus pensamentos foram parecidos. Olhava as pessoas batendo canetas na carteira, conferindo mil vezes seus pertences, organizando diversas vezes aquelas poucas coisas – lápis, caneta, borracha, identidade, água. O silêncio pairava. Fiquei pensando: todos ali pelo mesmo objetivo. Começava a imaginar quanto tempo cada um teria ficado estudando, ou, quantos daquela sala estariam entre os aprovados.

O sinal que autorizava virar as provas e começar tocou. A partir daí não me recordo muita coisa além de ter me desconcentrado muitas vezes com pensamentos aleatórios. Fui uma das primeiras a sair da sala, afinal minhas chances estavam praticamente zeradas, me restava apenas aproveitar o tempo fora daquilo. Voltei ao hotel, desta vez mais calmamente, foi então que notei quão boa era a sensação de passar em uma rua arborizada, no meio de tanto movimento e concreto um lugar tranquilo, praticamente um oásis, que ficava ao lado de um shopping.

Cheguei ao hotel lá pelo meio dia e logo peguei um táxi, para onde? Bem, rua Silveiro, novamente. A rotina da semana estava sendo estabelecida. Provas, hotel, casa dos outros, hotel e mais provas. Apesar de parecer que meus dias se repetiam sempre havia um elemento novo a cada amanhecer, a cada entardecer – e mesmo que tivessem sido exatamente iguais, isso não me incomodaria, afinal a companhia das minhas tardes era a melhor possível e para mim isso bastava.

Naquele mesmo dia, cheguei à casa praticamente na hora do almoço. Depois da refeição – que estava muito boa por sinal – todos se levantaram, exceto eu, que continuei à mesa. Por uns instantes¹ na cozinha só havia eu e aquela mulher, aquela mãe. Conversamos um pouco até a filha mais velha se juntar a nós e foi então que através de fotos fizemos uma viagem ao tempo. Elas lembravam – eu conhecia – o passado da família, as histórias engraçadas de infância e de ação, como a ‘Noiva do Rambo’.

Mais tarde eu e a menina bela vimos TV, por vezes ouvia música e foi escutando o som vindo do meu mp4 que comecei a pensar em toda a minha expectativa para fazer  aquela viagem, em todas as tardes que haviamos passado longe mas ao mesmo tempo juntas, em todas as vezes que eu era recebida com um ‘estava pensando em você’ ou com um oi animado, nas vezes que quis um abraço… Foi guiada por esses pensamentos que rabisquei uma folha com algumas palavras e depois de pronta preguei no mural que havia no quarto. Meus pensamentos em forma de frases me renderam um abraço direito.

O domingo teve fim horas mais tarde, quando lá pelas 23:00 p.m. depois de um banho demorado, e altamente relaxante, apaguei na cama do hotel esperando pelo dia seguinte.

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