Rua Silveiro

Demorei mas vai aqui o segundo capítulo, ou parte três, das minhas memórias hihi. É extenso e cansa ler, aviso desde já.

Acomodei-me no banco de trás do carro e ditei o destino, Rua Silveiro. No caminho me desliguei do mundo, falava com o taxista, mas na verdade prestava atenção nas ruas, nas pessoas, nas paisagens. Enquanto tudo passava diante meus olhos não sei bem explicar o que passava na minha cabeça. Era uma mistura de paz, liberdade e independência com ansiedade e nervosismo.

Ao chegar ao condomínio – o tal lugar inesperado – não lembrava o número do apartamento, que então me foi dito pelo porteiro. Depois de descobrir como abrir a porta consegui subi. Subindo, quanto mais perto chegava do quarto andar maior a tensão ficava. Toquei a campainha, ouvi um latido – Mel – e fiquei esperando. Nesse entre tocar de campainha e a abertura da porta, me vi sorrindo e senti uma coisa boa, uma tranquilidade, não sei, o fato é que não durou muito tempo. Esse sentimento bom logo foi ofuscado pela maior crise de timidez que já tive.

A porta abriu e lá estava, um dos verdadeiros motivos da minha viagem. Por frações de segundo, olhei pra ela e viajei em pensamento, lembro-me de ter achado alguma coisa diferente nela em relação às fotos, talvez por isso a primeira coisa que consegui dizer foi um lamentável ‘Nossa, você é alta mesmo!’. Enfim, entrei e logo a mãe dela veio me receber e fui cumprimentando a todos, o irmão estirado no sofá e a irmãzinha que, juro, não me lembro de onde surgiu. Atravessar a sala, em tempo real, não deve ter demorado muito, mas ao passar pela porta minha noção de tempo ficou deturpada e fez com que tudo se passasse mais vagarosamente.

No quarto dela, sentei na cama e não sabia muito o quê dizer, algumas frases surgiam, assuntos fugazes, mas na maior parte do tempo um silêncio, que chegava a ser incômodo, pairava. Mentalmente, brigava comigo mesma “Vai amiga, diz alguma coisa, já se falaram tanto por MSN”, o que não colaborou para uma melhor desenvoltura minha. Creio que ela percebeu timidez que se apossou de mim – não tinha como não perceber, apesar das minhas bochechas estarem na coloração normal – e refletindo mais tarde me senti um tanto quando idiota, teoricamente não havia motivo para aquilo.

Fazia alguns minutos que estava lá quando o pai da menininha, ou melhor, da guriazinha – já que estamos no Rio Grande – chegou, ele é que nos levaria para o almoço. Arrependo-me de não ter o citado no início desse texto, mas fica aqui minha declaração de que gostei daquele homem. No carro já me sentia mais a vontade, conversando sobre faculdades, vestibular – motivo secundário da viagem, ou, o que também podemos chamar de desculpa plausível – o cara até tirou um sarro, de leve, já que farmácia chega a dar câimbra na língua. Mais alguns minutos e chegamos ao shopping, onde eu e a menina de quinze nos separamos dos outros dois, só tornaria a ver a guriazinha no domingo. Ao invés de ir direto a praça de alimentação ficamos dando algumas voltas e depois, uma de frente para outra, sentamos em um banquinho a fim de esperar uma mesa na praça de alimentação – que precisa de uma reforma de ampliação. Lá me lembro de conversar sobre… bem, sobre algumas coisas das quais não vou citar.

Após muito esperar uma mesa vagou e finalmente nos sentamos para almoçar, eu um tão esperado McChicken e ela um Big Mac, ficamos ali um bom tempo. Terminada a refeição fomos andar novamente. A essa altura já estava ficando mais fácil me comunicar. Entramos três ou quatro lojas. Uma das partes que mais gostei foi à ida ao Mega Zone, onde entre tiros e rodopios, repetidamente eu dava cabeçadas no ombro da guria altona, explico agora que era só pra extravasar quando a timidez aumentava. Um jeito bizarro, confesso, mas que funcionou. Ah, outra coisa decorrente da vergonha era minha falta de opinião quando indaga sobre o que eu queria fazer.

A uma altura da tarde a troca de shoppings foi feita. Fomos a um shopping muito freqüentado por adolescentes nas sextas-feiras, o qual fica em frente a um parque que reúne todo tipo de gente, de emo a skatista. Primeira coisa feita quando chegamos foi adquirir, em uma banca, produtos que não vem ao caso ser mencionados, e atravessamos a rua – na qual, posteriormente, quase fui atropelada. Não demorou muito voltamos à banca, trocamos um dos produtos e voltamos ao parque. Sentamos no gramado, demos alguma risada – principalmente pelo meu mau jeito com uma coisa – conversamos sério até por fim levantar e dar uma volta no parque, para ver também se algum conhecido era encontrado, coisa que para mim não aconteceria definitivamente, mas como é na sexta que a magia acontece e aquele dia não era uma sexta, o lugar estava meio vazio. Já chegava perto de 20:00 horas, quando ficou decidido ir embora, após uma Coca.

No hotel havia deixado um pacote de Doritos e alguns chocolates, que até então me serviria de janta, mas acabei voltando para a casa da família w – guri gigante, guria de quinze, guria de dez e no comando, mulher do coração enorme – e jantando pizza. Durante o jantar, entre conversas e garfadas fiquei observando e me senti feliz mais uma vez por estar ali. Era por volta das 22:30 horas quando entrei no táxi novamente, desta vez com destino ao hotel. Nos, aproximadamente, quinze minutos de corrida seguintes, fiquei contemplando as ruas e repensando no dia que tinha passado, coisa que virou uma espécie de ritual na minha estádia naquela cidade, e pensando qual teria sido a primeira impressão deixada. Já no hotel tomei um banho e fui direto para cama. O cansaço não era muito comparado ao que viria nos próximos dias, mas mesmo assim peguei rápido no sono.

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