Aos maiores idiotas, um pouco de puxa-saquismo

Setembro 19, 2011

Não sou de “pagar pau” pra ninguém, mas sempre é necessário reconhecer as boas coisas e dar elogios quando merecidos e a meu ver, “os maiores idiotas do mundo” merecem.

Em 2009, através de uma amiga, conheci a Doyoulike? e graças a eles acabei – felizmente – tropeçando na Tópaz.

Coisas que me chamaram atenção nesses caras – além da música agradável aos meus ouvidos, óbvio – foram o bom humor, os vídeos engraçados e a atenção que eles dedicam aos chamados fãs, que mais me parecem amigos deles, afinal, qual banda marca de jogar futebol com fã?!

Admiro muito bandas do cenário independente como a Tópaz, que além de fazer boas músicas, acreditam no que fazem e vão adiante fazendo o sucesso acontecer; Tem um sonho e apesar de todas as dificuldades, correm atrás, coisa que não é muito comum na maioria das pessoas. É mais fácil sonhar os sonhos deitado no sofá de casa, esperando as coisas caírem do céu que dar a cara a tapa no mundão. Mas não é assim pra esses caras, que tem um ideal e lutam por ele – “eles tentam e vão atrás” “eles tampam seus ouvidos e não param de arriscar”. Amadurecem no som ao mesmo tempo em que, literalmente, expandem seus horizontes.

Desde que conheci essas duas bandas gaúchas tive vontade de assistir a uma apresentação deles, mas como não eram muito conhecidas por aqui e sem conhecimento não rola show, escrevi um e-mail contendo informação e myspace das bandas, em março do ano passado, com objetivo de divulgar para meus amigos e contatos, mandei também e-mail pedindo música na rádio, mas acabou ficando por isso mesmo. Continuei ouvindo e apresentando aos amigos mais próximos, mas sem esperança real de ver um show por aqui.

Final do ano passado fui surpreendida, quando ao ligar a rádio do carro tocava O Maior Idiota do Mundo, fiquei muito feliz por ver que eles estavam chegando aqui! Feliz por mim de ouvir uma boa música na rádio e mais ainda por eles, por ver que cada dia mais eles alcançam novos estados, cidades e territórios e o trabalho é recompensado e minha torcida não foi em vão.

Semana passada, no facebook, vi um flyer de divulgação do show da Tópaz em Pato Branco e pensei “puta que pariu, eles realmente chegaram e agora é minha vez de ver eles!” e providenciei meu ingresso.

Show lindo é show-troca. Aquele em que o artista mostra seu trabalho pra gente e a gente responde, fazendo um show pra eles, cantando junto e vibrando a cada música e é assim que espero que seja na Mush, dia 23. Espero que todo mundo abrace os meninos e o som deles como eu irei certamente já fiz e vou seguir fazendo.

Que venha Tópaz, que venha dia 23, e que seja lindo!

(Pra quem ainda não conhece: http://bandatopaz.com)

Ps. Agora só fica faltando a Doyoulike? pintar por aqui.

This town holds no more for me

Dezembro 28, 2010

Cansei daqui. Preciso de novos ares, novos lugares, rostos, experiências, culturas, gírias. Nascer de novo. Recomeçar em um lugar desconhecido onde ninguém me conheça. Deixar pra trás qualquer expectativa, estereótipo ou estigma que pese sobre meus ombros.

Não nego que viver nessa cidade pacata, de dezoito mil habitantes, já tenha sido bom. Minha infância não teria sido a mesma, não teria sido tão feliz, se tivesse sido vivida em grandes centros aos quais hoje quero – desesperadamente – me lançar. Morar aqui me proporcionou muita liberdade de ir e vir, de brincar na rua até o entardecer sem preocupações, mas como diz Rockin’ Chair do Oasis “This town holds no more for me’’.

Se outrora me bastava um lugar calmo para crescer, hoje preciso de um sítio que me estimule a amadurecer, experimentar coisas novas, que me proporcione opções de emprego, estudo, paladares, diversão – que já não significa mais andar na bicicleta e ficar na rua correndo. Preciso sair da zona de conforto e aprender a viver sozinha em meio a uma multidão.

Uma cidade que case com meus gostos e necessidades, que, de algum modo, se pareça comigo, é isso que eu quero para mim.

Varanda

Dezembro 3, 2010

Olho para trás e me espanto ao lembrar como era minha forma de pensar 

Frustrações e tapas na cara me levaram a evoluir

Ao mesmo tempo desisti, decaí

Nunca fui de lutar, sempre fui de me acomodar

Hoje me sento na varanda do mundo para observar o movimento

E o que assisto é o caos

O panorama não me agrada

Vejo o excesso de hipocrisia e falsidade da humanidade, o egoísmo e o capitalismo

Gente se importando com a vida da gente

Gente não se importando com a vida de gente

Reparo que muitas são as pessoas pra te empurrar do precipício, mas poucas são as que estendem a mão em um gesto de bondade

Gentilezas são mais escassas que atrocidades

Alguma coisa está errada, os valores estão invertidos

Ou perdidos…

O apanhador no campo de centeio

Outubro 30, 2010

  ”          – Esta queda para a qual você está caminhando é um tipo especial de queda, um tipo horrível. O homem que cai não consegue nem mesmo ouvir ou sentir o baque do seu corpo no fundo. Apenas cai e cai. A coisa toda se aplica aos homens que, num momento ou outro de suas vidas, procuraram alguma coisa que seu próprio meio não lhes podia proporcionar. Ou que pensavam que seu próprio meio não lhes poderia proporcionar. Por isso, abandonam a busca antes mesmo de começá-la de verdade. Tá me entendendo?

            – Sim, senhor.

            – Está mesmo?

            – Estou sim.

            Levantou-se e despejou mais um pouco de bebida no copo. Aí se levantou de novo. Ficou um bocado de tempo sem dizer nada.

            – Não quero te assustar – ele disse – mas vejo você, com toda a clareza, morrendo nobremente, de uma forma ou de outra por uma causa qualquer absolutamente indigna.

            Me olhou de um jeito engraçado.

            – Se eu escrever umas palavras para você, promete que vai ler cuidadosamente? E guardar?

            – Prometo, sim – respondi. E era verdade. Até hoje guardo o papel que ele me deu.

            Foi até a escrivaninha, no outro lado da sala, e escreveu alguma coisa num pedaço de papel, sem se sentar. Aí voltou e se sentou, com o papel na mão.

            – Por estranho que pareça, isso não foi escrito pó um poeta. Foi escrito por um psicanalista chamado Wilhelm Stekel. Aqui está o que ele… Você ainda está me ouvindo?

            – Claro que estou.

            – Aqui está o que ele disse: “A característica do homem imaturo é aspirar a morrer nobremente por uma causa, enquanto que a característica do homem maduro é querer viver humildemente por uma causa”.

            Inclinou-se e me passou o pedaço de papel. Li imediatamente o que estava escrito, agradeci e tudo, e guardei o papel no bolso.”

Secret Smile

Outubro 28, 2010

Essa é a história de uma menina que não conseguia não sorrir… Não conseguia não sorrir ao ver ele passar, ao simples fato de estar perto dele, ao menor toque dele, ao conversar com ele, ao ver o sorriso dele, ao ouvir a voz dele, ao ouvir a risada dele, ao pensar nele…

Era uma menina boba, que não conseguia não sorrir à soma de todas as partes daquele cara perfeito que, embora fosse abaixo da estatura esperada, tinha um corpo lindo e uma beleza natural sublime. Olhos cor de mel, cabelos escuros, pele clara e traços marcantes. Voz doce e inconfundível, jeito meigo. Uma combinação que transpirava paz e alegria aos que o rodeavam. Possuía uma simpatia notável e uma amabilidade gritante. Era o tipo de cara que conquistava a todos facilmente. Era por esse que ela não conseguia parar de sorrir.

Ele se tornara mais uma de suas paixões platônicas, mais um de seus objetos de profunda admiração. Para ela, como sempre, bastava sentir e ver, o ter era algo desnecessário. O ter era algo que poderia estragar suas imaginações. Ela preferia imaginar a viver. Quando se vive, o sentimento de buscar alcançar o inalcançável some e a imagem perfeita que se tem a respeito de alguém se desfalece. Isso era algo que ela não queria. Ela não queria, um dia, conseguir parar de sorrir.

Cruzadas

Outubro 4, 2010

“Lute pela pessoa, sei que ela é a certa pra você.” Foi mais ou menos essa a frase no fim do e-mail lido. Depois de ler, confesso que pensei muito sobre o assunto. Lutar, lutar, lutar… Mas como? Essa seria uma batalha e tanto, teria que nadar contra a correnteza além de concorrer com um passado, presente e futuro. Desafio com alto grau de dificuldade. Sem saber por onde começar, ou como agir, mantive a conduta passiva. Revolução, guerra e determinação nunca foram a minha cara. Sou maleável, acomodada… brasileira.

Voltando a pensar no assunto outras vezes, me dei conta, e pela primeira vez agradeci meu comodismo, de que se uma pessoa é, teoricamente, certa para mim não significa que eu seja certa para ela. E é isso que me leva a próxima base de reflexão: se você luta por amor, luta por uma pessoa que já tem outra – que é a certa pra ela – que a faz feliz é uma batalha por egoísmo e não por amor. Quando você ama alguém é a felicidade dela que realmente importa – por mais que a felicidade dela dependa de fatores que não te façam feliz.

Luta passional, pra mim, pode-se comparar a tantas guerras religiosas já traçadas ao longo da história nas quais eram disputadas por um – aparente – motivo nobre, mas no fundo não passavam de guerras, como quaisquer outras! Tirar alguém de uma relação estável e feliz para encontrar a felicidade própria é egoísmo. E hipócrita é quem diz o contrário! Quem ama não luta pela pessoa e sim pela felicidade dela.